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Director-geral da Total: “O aumento de custos da exploração de petróleo é mais preocupante que a descida dos preços”

O director-geral da Total Angola, Jean Michel Lavergne, mostrou-se preocupado com o aumento de custos para exploração de petróleo no país. O responsável falava durante a 37.ª Edição do First Friday Club, evento de convívio social entre executivos realizado pela Câmara de Comércio EUA-Angola na primeira sexta-feira de cada mês.

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“O aumento do custo de produção do barril de petróleo é mais preocupante que a descida dos preços do principal produto de exportação do país”, afirmou e por este motivo pediu maior ponderação do Executivo na aprovação de leis e introdução de medidas que possam encarecer ainda mais a produção”.

Segundo o responsável, a instabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional está a ter implicações negativas não só nas economias exportadoras desta matéria-prima como também nas empresas do ramo, esclarece um comunicado remetido ao VerAngola.

Jean Michel Lavergne explicou que esta situação tem vindo a acontecer há mais de dez anos, exemplificando que o Girassol, o primeiro FPSO no offshore angolano foi projectado ao custo de 17 milhões de dólares ficando orçado em dois mil milhões de dólares. Quase quinze anos depois, o Caombo, projecto quase da mesma dimensão está avaliado em cerca de nove mil milhões de dólares: "Isto significa que em quinze anos houve oitenta e três dólares por barril de valor que desapareceram", afirmou.

“É mais importante, para nós, reduzir os nossos custos”, continuou. "Trata-se de "uma questão de sobrevivência. Aparentemente somos uma indústria que parou de gerar ganhos de produtividade, hoje em dia custa mais produzir uma cabeça de poço que há quinze anos".

Como forma de resolução da situação actual, o responsável recomendou ainda maior diálogo entre o Executivo e as empresas produtoras de petróleo, de modo a que se tomem medidas que não onerem ainda mais o custo de produção do óleo negro em Angola.

Jean-Michel Lavergne apontou também que a introdução da nova legislação no sector como uma agravante da situação. "A nossa responsabilidade é também de informar oGgoverno sobre as consequências potenciais, em termos de custos, de algumas regras, e há um exemplo que creio ser bem conhecido que é a regra do zero descarregamento. Isto vai aumentar os custos da indústria para aproximadamente quinhentos milhões de dólares/ano". Jean-Michel Lavergne avançou também que o preço ideal para as companhias é de sessenta a oitenta dólares por barril.

O director-geral da Total Angola, uma empresa há 70 anos no nosso mercado, foi o convidado no First Friday Club, evento de convívio social entre executivos, promovido pela Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola, para falar do impacto da queda do preço do crude. A Total Angola é das mais antigas empresas petrolíferas em Angola, sendo responsável por 40 por cento da produção nacional de crude, correspondendo a mais de 70 mil barris por dia.

Por seu lado, Pedro Godinho, Director Executivo da Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola, defende um tratamento melhor para as questões que afectam o sector tendo avançado que "vai ser importante haver uma interacção, um diálogo constante entre o Executivo e os actores do sector", sendo que dever-se-á prestar alguma atenção às inquietações dessas empresas. "É certo que o país está a viver uma situação difícil mas a solução não passa por matar a galinha dos ovos de ouro, é preciso que haja um equilíbrio" sustentou.