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Angola é o país africano mais prejudicado com petróleo barato, diz Capital Economics

A consultora Capital Economics considerou esta Sexta-feira que Angola será o país africano mais afectado pela redução dos preços do petróleo, antecipando uma perda de até 2,5 por cento do PIB e uma nova recessão este ano.

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"Apesar de os benefícios serem espalhados por muitos países importadores de petróleo, as dores serão concentradas em poucos exportadores", argumentam os analistas desta consultora numa análise sobre o impacto da redução do preço do petróleo, que caiu mais de sete por cento só este mês, na qual escrevem que a Zâmbia será o país mais beneficiado, mas só poupará cerca de 0,6 por cento do PIB com a redução do preço destas importações.

"A grande economia mais afectada seria Angola, que pode perder em receitas o equivalente a 2,5 por cento do PIB; a continuada depreciação do kwanza, que acelerou recentemente, vai ajudar a preservar o valor em moeda local das parcas receitas petrolíferas, mas a economia vai provavelmente continuar a contrair-se este ano, encolhendo cerca de um por cento, escrevem os analistas na nota enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso.

A queda dos preços do petróleo, explicam, "vai criar vencedores e perdedores em África, mas os ganhos dos vencedores vão ser pequenos e espalhados por dezenas de países, ao passo que as dores estarão concentradas em poucas economias", escreve a Capital Economics.

Os preços baixos do petróleo, argumentam, "são más notícias para a África subsaariana", uma região cujas exportações representam cerca de quatro por cento do PIB, por isso "os preços baixos vão reduzir as receitas, forçando os consumidores a cortar na despesa e os governos a apertar a política orçamental".

A longo prazo, "um período de preços baixos pode também desencorajar investimentos no sector dos hidrocarbonetos, o que é particularmente provável em países como Angola, que está a procurar financiamento para os investimentos na produção ao largo da costa, que é cara", concluem os analistas.