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Defesa

Governo reconhece excessos na actuação da polícia após morte de quatro pessoas

O ministro do Interior admitiu esta Sexta-feira algum excesso de zelo na actuação de efectivos, pedindo que não usem armas de fogo contra cidadãos indefesos e “que não ofereçam qualquer perigo contra as forças de defesa e segurança”.

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Eugénio Laborinho, que discursava na cerimónia de tomada de posse de novos responsáveis no Ministério do Interior e do Serviço de Investigação Criminal, referia-se às últimas mortes registadas em Luanda e Benguela, num total de quatro pessoas.

Segundo o ministro, os incidentes que ocorreram nas áreas do Rocha Pinto, Cazenga e Prenda, na província de Luanda, e num mercado do peixe, em Benguela, "não podem manchar o bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela maioria".

O governante endereçou condolências às famílias enlutadas, informando que "os autores de tais práticas estão a ser responsabilizados, disciplinar e criminalmente".

O titular da pasta do Interior sublinhou que os agentes nunca receberam nenhuma orientação "que convergisse para matar ou violentar fisicamente qualquer cidadão".

"Porque o povo nunca foi e nunca será inimigo nem adversário das forças de defesa e segurança; pelo contrário, existimos para servir a sociedade", disse.

Nas orientações aos efectivos, Eugénio Laborinho frisou que as armas de fogo só poderão ser utilizadas em casos extremos, quando estiver em causa a integridade física ou vida dos efectivos e de cidadãos, "ou seja, em situações de legítima defesa, sendo que nestes casos deverá ser feita de forma proporcional e adequada ao grau de ameaça".

A morte mais recente ocorreu esta semana, na zona do Prenda, tendo a vítima, um jovem de 23 anos, sido atingida por um polícia durante uma acção de patrulhamento para verificar o cumprimento das medidas de prevenção face à covid-19.

Na mesma acção, ficou ferido um adolescente, de 16 anos, atingido pelo disparo de uma arma.

Populares da zona protestaram, montando barricadas nas estradas, com pneus em fogo, sendo necessário a polícia reforçar a sua presença no local, para acalmar os ânimos.

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