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Saúde

UNICEF disponibiliza suplementos nutricionais para mais de 10.000 crianças angolanas

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla inglesa) disponibilizou mais de 9.600 caixas de suplementos nutricionais, que vão beneficiar mais de 10.000 crianças angolanas, menores de cinco anos, de quatro províncias.

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Um comunicado de imprensa do UNICEF, a que a agência Lusa teve acesso, salienta que os suplementos nutricionais vão reforçar os programas provinciais de combate à desnutrição, as actividades desenvolvidas pelos governos locais neste período de resposta à covid-19, bem como apoiar as intervenções de resposta nutricional resultantes de períodos de secas cíclicas nas províncias do Cuando Cubango, Cunene, Huíla e Namibe, sul do país.

"A UNICEF tem apoiado o Governo de Angola, em particular os governos provinciais no sul do país, no desenvolvimento de pacotes de actividades de resposta à emergência que incidem essencialmente nos setores de saúde e nutrição, água, saneamento e higiene, proteção da criança, mudança de comportamento e envolvimento comunitário", realça a nota.

A organização das Nações Unidas destaca que estas actividades assentam numa estratégia mais ampla para estabelecer a ligação da resposta às emergências, com uma agenda de desenvolvimento social local.

Com a assistência do UNICEF e parceiros, informa a organização da ONU, foram capacitados, no primeiro semestre deste ano, mais de 300 técnicos de saúde, para fornecer serviços de despistagem e tratamento da desnutrição aguda e prestar aconselhamento sobre práticas de alimentação infantil e suplementação com micronutrientes para os pais e encarregados de crianças pequenas.

No ano passado, fundos da Central das Nações Unidas para as Emergências (CERF), o apoio do UNICEF e das Organizações Não-Governamentais Visão Mundial, Acção para o Desenvolvimento Rural (ADRA) e People In Need permitiram despistar para a desnutrição cerca de 232.000 crianças menores de cinco anos, por meio da intervenção de mais de mil agentes comunitários e técnicos de saúde capacitados nas províncias do Cunene, Huíla, Bié e Namibe.

Do total de crianças diagnosticadas, mais de 23.000 foram tratadas para a desnutrição aguda moderada e cerca de 7800 foram tratadas para a desnutrição aguda grave, em 28 unidades especiais de nutrição e 218 unidades sanitárias, com programas de tratamento ambulatório equipadas com suprimentos nutricionais e materiais de diagnóstico.

Este ano, as actividades desenvolvidas no sul de Angola contam com financiamento da CERF, do Banco de Fomento de Angola e do Governo do Japão, cujo apoio além de servir para a compra de suplementos nutricionais, prevê garantir que cerca de 16.000 crianças menores de cinco anos tenham acesso à prevenção e rastreio da desnutrição aguda e cerca de 12.000 outras, em idade escolar, beneficiem de acções de desparasitação e suplementação com micronutrientes.

"A questão da desnutrição tem sido uma grande preocupação do UNICEF e dos seus parceiros, mesmo antes da pandemia, porém, com a ocorrência dessa situação de emergência mais famílias podem ter maior dificuldade em garantir a nutrição adequada das suas crianças, por isso os nossos esforços vão no sentido de apoiar as autoridades para assegurar que haja continuidades destes e outros serviços de modo que nenhuma criança seja deixada para trás e tenha a sua situação agravada", disse Jean François Basse, representante interino do UNICEF em Angola, citado no documento.

A UNICEF lembra que Angola é um país propenso a secas cíclicas, que afectam principalmente o sul do país, estimando-se que mais de 56.000 famílias estejam em situação de insegurança alimentar em 2020, devido à seca registada em 2019.

De acordo com o último inquérito nutricional realizado nas províncias da Huíla e Cunene, a prevalência de desnutrição aguda nas crianças menores de cinco anos é de 13,6 por cento na Huíla e 12,9 por cento no Cunene, estimando-se que 3 por cento dessas crianças na Huíla e 1,7 por cento no Cunene se encontrem em risco de vida, devido à desnutrição aguda severa.

As chuvas têm sido escassas e irregulares no sul de Angola e nos últimos três anos foram registadas as temperaturas as mais elevadas desde 1975, sublinha o comunicado.