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Economia

Medidas de combate à crise em Angola são insuficientes mas ainda há tempo para melhorar, admite investigadora

A investigadora Paula Cristina Roque considerou esta Quarta-feira que as iniciativas do Presidente para combater a crise no país são insuficientes, mas ressalvou que ainda há tempo e que as acções agora definirão o seu legado.

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Num artigo publicado no site do Instituto de Estudos de Segurança da África do Sul, a investigadora diz que "até agora as acções tomadas são insuficientes para manter o país a salvo", mas ressalva que ainda há tempo de alterar o rumo e definir o legado que João Lourenço deixará.

"Angola, como muitos outros países africanos, está a enfrentar desafios aparentemente inultrapassáveis", diz a investigadora, apontando a descida dos preços das matérias primas, nomeadamente o petróleo, a pandemia da covid-19 e a quebra muito significativa de receitas que torna muito difícil o cumprimento dos compromissos financeiros e, ao mesmo tempo, a implementação de programas sociais que combatam os efeitos da pandemia.

"O Governo está sob críticas generalizadas por parte da sociedade civil devido à abordagem dura por parte das forças de segurança e falta de soluções para as pessoas que não têm comida; muitas escolheram desafiar as restrições, preferindo morrer da doença do que morrer de fome", escreve a analista, acrescentando que a substituição da ministra da Saúde por um general, no âmbito da remodelação governamental feita no princípio de Abril, "foi interpretada como uma necessidade de alinhar politicamente os aliados, em vez de procurar pessoas qualificadas para ajudar a definir uma resposta à crise e um plano de recuperação".

Entre os erros na gestão da pandemia, Paula Cristina Roque aponta a disponibilização de 420 milhões de dólares para ajudar 1,6 milhões de famílias, mas sem informação sobre como vão as pessoas beneficiar do programa, um empréstimo de 118 milhões de dólares para comprar um avião para a TAAG e a militarização do isolamento.

"Enquanto Estado 'securitizado', os serviços de vigilância e inteligência seriam mais bem usados para mapear os contágios [da transmissão da pandemia]", argumenta a analista, defendendo que "resolver estas crises vão requerer o tipo de liderança que é transformacional, honesta e corajosa" e concluindo que "apesar das falhas até agora, o Presidente ainda pode corrigir a estratégia".