Financiamento japonês permitiu desminar quase 200 mil metros quadrados no Kwanza Sul

Uma área de quase 200.000 metros quadrados foi considerada livre de minas na província do Kwanza Sul, um projecto financiado pelo Japão em Julho de 2018 no valor de 350.000 dólares, indicou fonte oficial.
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Num comunicado, a embaixada nipónica em Luanda comunica que o Projeto de Desminagem no Município de Cela (Cuanza Sul) encerra oficialmente na próxima Segunda-feira e que foi implementado pala Associação de Profissionais Angolanos de Acção Contraminas (APACOMINAS).

Com o projecto, mais de 184.600 metros quadrados foram desminados e 836 artefactos explosivos removidos, o que garante, lê-se na nota, "uma vida mais segura face ao perigo das minas para os cerca de quase 12.000 habitantes residentes na área".

Segundo a missão diplomática japonesa em Luanda, durante a execução do projeto foram realizados um total de 15 sessões de Educação de Risco de Minas pela APACOMINAS, que beneficiaram 8462 residentes locais.

"Através deste projecto, atualizámos com êxito a base de dados das áreas suspeitas e minadas, o que contribuirá na operação das actividades de desminagem a longo prazo", acrescenta a embaixada nipónica.

Os parceiros do projeto, prossegue, foram a Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH), o Governo Provincial do Cuanza Sul, o Instituto de Promoção e Coordenação da Ajuda às Comunidades (IPROCAC) e as comunidades da Cela. 

No ato de encerramento, além do encarregado de negócios da Embaixada do Japão, Toshinori Matsushiro, estarão presentes os representantes dos parceiros do projeto. 

O Governo do Japão tem apoiado desde 1989, de forma variada, projectos locais, como o Programa de Assistência a Projectos Comunitários (APC) e o de Assistência a Projectos de ONG Japonesas em Angola.

Na área de desminagem, desde 1999, foram financiados vários projectos comunitários de ação contraminas, incluindo assistência às vítimas de minas e educação sobre risco de minas, com o valor aproximado de mais de 13 milhões de dólares não reembolsáveis.

Em novembro de 2018, o Governo japonês financiou também projectos de desminagem na província do Huambo, tendo "libertado" 225.869 metros quadrados de terras de minas, beneficiando 2768 pessoas.

O projecto, executado pela organização não-governamental britânica Halo Trust, deixou livre de minas 15 localidades do Huambo, abrindo caninho às comunidades locais à prática de agricultura, construção de residências e a livre circulação de pessoas e bens.

Mais recentemente, a 6 deste mês, também com financiamento nipónico, de quase 200 mil dólares, ficou concluída a desminagem de 627.000 metros quadrados de terras no município do Quitexe, no Uíge (norte), que beneficiou uma comunidade de 3900 habitantes

Um dia depois, Adriano Gonçalves, do gabinete de Cooperação e Intercâmbio da Comissão Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) de Angola, reconheceu que o país ainda apresenta um "alto nível de contaminação de minas", sendo necessários, até 2025, pelo menos 308 milhões de euros para libertar anualmente 450 áreas ainda afetadas, admitindo que será difícil cumprir o prazo.

Segundo Adriano Gonçalves, nos últimos dez anos, o sector tem registado um "decréscimo de financiamento" a nível dos doadores, entre o Estado e os parceiros internacionais, que já atingiu um "nível de quase 90 por cento".

"Estamos conscientes de que esta data [2025] não será tão realística para nós, porque precisaríamos de 350 milhões de dólares para libertar cerca de 450 áreas afetadas por ano, que seriam cerca de 15 milhões de metros quadrados por ano, para que chegássemos, em 2025, e tivéssemos o problema completamente resolvido", referiu.

Adriano Gonçalves recordou que, em 2017, Angola fez um pedido de extensão do prazo, mas o mesmo ficou limitado a 2025, admitindo que o seu alcance é "quase impossível" devido às "limitações de recursos humanos e financeiros".

De acordo com o membro do gabinete de Cooperação e Intercâmbio do CNIDAH, as províncias angolanas do Cuando Cubango, com cerca de 267 áreas afetadas, seguida do Moxico, Cuanza Sul e Bié registam "maior incidência" de minas no país.

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