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Sector mineiro é solução para jovens que não encontram emprego nas cidades

A taxa de desemprego continua a ser um factor preocupante no país. A oferta é escassa e os jovens têm de lutar cada vez mais por um primeiro emprego. É o caso de Casemiro Zereferino, Manuel, Amilton da Cunha e Jamila Kiteculo que decidiram arregaçar mangas e encontrar oportunidades de emprego longe da família e da cidade.

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Os jovens trabalham todos longe de casa, no projecto de mineração de ouro de Chipindo. Casemiro Zereferino é um dos jovens que se afastou da cidade para trabalhar no projecto. Natural do Lubango e com família em Caluquembe, o jovem de 24 anos arranjou emprego há seis meses como "batedor", que consiste em retirar amostras de mineral e testá-las antes da extracção.

Citado numa nota publicada no Facebook do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleos e Gás, o jovem explicou que recebeu a proposta por parte da DEMANG e não hesitou: "Aceitei e hoje sustento condignamente a minha família".

No mesmo barco está Manuel, um jovem de 26 anos que conseguiu o seu primeiro emprego há quase um ano. O jovem diz valorizar o seu trabalho "como um bem a não perder". Natural do Chipindo, onde tem família, Manuel admite que o emprego o valorizou na família e na sociedade. "Aqui aprendemos todos os dias", completou.

Ainda novato na área da mineração, Amilton da Cunha, de Benguela, tem 34 anos e há dois meses que trabalha no ramo como operador de escavadeira. Diz ser uma "experiência nova e prazerosa", acrescentando que apenas ele a família "conseguem descrever o valor do seu emprego".

Por seu turno, Jamila Kiteculo é natural de Porto Amboim. Com 28 anos, a jovem diz ter nascido para ser geóloga. Formada na Inglaterra, a geóloga afirmou que não a incomoda o facto de trabalhar longe da cidade e da família: "Preparei-me desde o ensino médio para trabalhar no campo. Quando escolhi o curso tomei conhecimento e consciência de que o trabalho do geólogo é no campo, longe do conforto da cidade", indicou.

Jamila é a geóloga de produção do projecto e a única mulher responsável por "orientar o desmonte do estéril até atingir o minério, preparar as bancadas, orientar a extracção do minério, fazer blanding em função dos vários teores de mineralização", entre outros.

Questionada sobre como é ser mulher jovem numa mina e a única a liderar uma equipa masculina, Jamilia afirmou que este é um desafio para o qual se formou e que lhe dá "prazer".

"O meu sonho é ter a mina dominada por mulheres, darmos exemplo e mostrarmos que também podemos contribuir decisivamente para transformar o que a natureza esconde no subsolo em riqueza real", indicou.

A trabalhar há menos de meio ano no projecto, a jovem fez o seu estágio de fim de curso nesta mina. "Para o meu espanto, um ano depois, fui convidada a vir trabalhar como efectiva e aceitei o desafio", completou.

Os jovens mostraram-se felizes pelo trabalho que desempenham e apelaram aos restantes jovens para que estudem e procurem oportunidades "longe da cidade".

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