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Chineses investem um milhão e criam 150 empregos com fábrica de betão em Luanda

Um grupo chinês pretende instalar em Luanda uma fábrica para produzir betão, criando quase 150 postos de trabalho, de acordo com um contrato de investimento de 24 de Maio, a que a Lusa teve acesso.

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O acordo entre o grupo Shaanxi Aoxinang e a Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP) prevê um investimento chinês de um milhão de dólares e a atribuição de benefícios fiscais.

Na componente produtiva, o contrato de investimento envolve a instalação de uma unidade fabril com a capacidade instalada anual de 40.000 metros cúbicos de betão e uma produção de 21.200 metros cúbicos logo no primeiro ano.

A fábrica deverá ser instalada num prazo de 18 meses, prevendo a criação de 148 postos de trabalho directos, 120 dos quais para cidadãos nacionais, esperando os investidores contribuir com um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 1,2 milhões de dólares e a "transferência de know-how para trabalhadores e para o mercado nacional em geral", lê-se no contrato.

No despacho que viabiliza o contrato de investimento do grupo Shaanxi Aoxinang, a ministra da Indústria de Angola, Bernarda Martins, refere tratar-se de um projecto privado "relevante" para o sector dos materiais de construção não metálicos, "vocacionada à produção de artefactos de cimento e betão".

A Lusa noticiou em Janeiro que o Governo decidiu manter a proibição de importação de cimento em 2016, alegando que a capacidade instalada no país ultrapassa largamente as necessidades internas.

Apenas as províncias de Cabinda, Cunene e Cuando Cubango, a título excepcional e obrigando a pedidos devidamente fundamentados, mantém este ano uma quota de importação individual de 150 mil toneladas.

O decreto que institui a medida, assinado em conjunto pelos ministros da Economia, da Indústria, do Comércio e da Construção, justifica a decisão com o investimento feito pelo setor nos últimos anos.

Assim, segundo o decreto - que aperta as restrições às importações deste produto -, a capacidade instalada em Angola ronda os oito milhões de toneladas, para um consumo de 5.022.000 de toneladas em 2014, "acrescido do facto de, ao longo do ano de 2015, se terem constado indícios crescentes do nível de exportação do cimento, sem colocar em causa as necessidades internas".

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, com 1,7 milhões de barris de crude por dia, mas enfrenta uma forte crise económica, financeira e cambial, decorrente da quebra da cotação daquele que é o seu principal produto de exportação nos mercados internacionais.