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Antigo chefe de Estado-Maior defende maior dignidade para militares reformados

O antigo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (CEMGFAA) defendeu, em Luanda, a necessidade de se conferir maior dignidade aos militares em fim de carreira.

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Francisco Pereira Furtado, de 63 anos, e 43 de carreira militar, dissertou sobre o tema "A Paz como Fator Imperativo para a Estabilidade e Desenvolvimento de Angola", na abertura das jornadas patrióticas alusivas ao 04 de Abril, Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, promovida pelo Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas.

"É preciso trabalhar-se no sentido de dar-se maior dignidade aos oficiais, particularmente, no fim da sua carreira militar, criando condições para que realmente os generais, particularmente, tendo o conhecimento antecipado da sua reforma, para que se preparem condignamente", referiu Furtado.

Segundo o antigo CEMGFAA, em 2008, foi feito um estudo profundo, que durou 17 meses, sobre a necessidade de implementação do processo de reforma das Forças Armadas.

"E neste estudo foram enumeradas algumas propostas de como conduzir este processo, criando condições antecipadamente para melhor dignidade aos oficiais generais, particularmente, e outros oficiais após o cumprimento da sua carreira militar", revelou.

Sobre a questão levantada, o actual CEMGFAA, Egídio de Sousa Santos, disse que tomou nota da preocupação que vai fazer chegar às autoridades competentes.

Em Janeiro deste ano, ex-combatentes reformados ameaçaram sair às ruas para reivindicar o pagamento de uma dívida acumulada de 130 mil milhões de kwanzas.

Os mais de 1600 oficiais generais superiores, capitães e subalternos reformados, viúvas e órfãos reclamam de cortes nas suas pensões de reforma e nos subsídios de empregadas domésticas viúvas de antigos combatentes desde 2009, estando sem meios de subsistência.

Entretanto, a manifestação ficou suspensa depois da promessa do ministro da Defesa para o pagamento de metade da dívida, "de forma faseada".

O antigo CEMGFAA expressou igualmente a necessidade de se valorizar e reconhecer os combatentes da liberdade e os heróis nacionais, sugerindo a construção de um panteão nacional.

"Orgulhamo-nos do facto de sozinhos termos estabelecido a paz e quase sozinhos de termos ouvido muito dos problemas que daí advinham. Os heróis nacionais e anónimos desta pátria merecem ser reconhecidos ainda que em vida e a história deve ser contada pelos próprios protagonistas da nossa vida do país", disse.

Para Francisco Pereira Furtado, pode juntar-se às condecorações nacionais, aos estímulos, aos louvores e assistência aos antigos combatentes e veteranos da pátria, viúvas e órfãos de guerra, a todos os "cidadãos que se notabilizaram nas diferentes esferas da vida nacional, não apenas militares, um panteão nacional".

"E também panteões provinciais, visando o acolhimento dos restos mortais de todos quantos se destacaram nas diferentes esferas e etapas da história recente do país. Que isto constituirá um merecido reconhecimento aos filhos da nossa pátria", frisou.

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