Enquadramento urbanístico pode melhorar mobilidade rodoviária

O Presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários Portugueses afirmou em Luanda que Angola registou uma evolução ao nível das infra-estruturas, mas ainda é necessário o enquadramento urbanístico para melhorar a mobilidade rodoviária.
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Luís Cabaço Martins falava à imprensa à margem da conferência internacional sobre "Os Transportes Rodoviários, a Mobilidade de Pessoas e Bens e o Desenvolvimento das Economias", que hoje se realizou na capital angolana, na qual foi orador do tema "Transportes Públicos Rodoviários de Qualidade".

Defendeu que os problemas de congestionamento de trânsito vividos diariamente sobretudo na capital angolana podem ser resolvidos com alterações às regras de circulação e pela criação de vias dedicadas e corredores para transportes públicos. "Nota-se uma grande evolução ao nível das infra-estruturas - eu estive cá há três anos - e nota-se efectivamente uma grande evolução. Penso que a partir dessa evolução infra-estrutural temos uma das soluções, também enquadrar isso com o próprio enquadramento arquitectónico e da localização das pessoas", disse.

A questão da construção dos bairros é decisiva para uma solução positiva dos transportes, acrescentou. "Penso que temos de encontrar uma solução equilibrada, mas para já eu apostaria na criação de algumas vias dedicadas e pensar no urbanismo juntamente com os transportes, não pensar o transporte de uma forma isolada, mas integrada numa lógica urbanística", avançou aquele especialista.

Já para César Calvacanti, membro fundador da Associação Nacional de Transportes Públicos do Brasil, que apresentou na mesma conferência o tema "Princípios da Mobilidade Urbana Sustentável", o leque de intervenções e iniciativas para a melhoria da mobilidade rodoviária, face aos problemas sobretudo em Luanda, é amplo. "Passa pelas pessoas, pelas infra-estruturas, pela economia, mas tudo isso conjugado por um esquema de actuação que deve obedecer os preceitos do planeamento, ou seja, tudo deve se iniciar com o planeamento governamental, de tal forma que todos esses aspectos consigam ser enquadrados na situação de cada cidade", frisou.

A directora-geral do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários angolano, Noémia Costa, apontou o factor humano como a principal causa de transtorno da mobilidade rodoviária em Angola. Segundo Noémia Costa, entre as dificuldades em melhorar estes resultados está a falta de educação cívica. "Temos que trabalhar na educação, porque segundo dados da Comissão do Ordenamento de Viação e Trânsito 97 por cento dos acidentes no nosso país o factor principal é o humano. Então temos que trabalhar com campanhas de sensibilização", enfatizou.

A responsável disse que a conferência, com vários especialistas de Portugal e do Brasil, serviu para o intercâmbio de experiências e para detectar falhas nos esforços que têm sido feitos até agora para melhorar a circulação rodoviária em Angola. "Temos várias acções em curso, por isso convidamos essas individualidades para vermos aonde é que está o nosso erro, a nossa falha, que algumas delas têm sido implementadas, mas não têm tido o sucesso que nós esperávamos", apontou.

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