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Economia

Integração da mulher no sector produtivo é desafio para Angola

A forte presença de mulheres na economia informal de Angola, consequência do baixo nível de escolaridade, é ainda um dos principais desafios a ultrapassar para a integração feminina no sector produtivo, conclui um estudo divulgado esta quarta-feira.

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Realizado durante nove meses com financiamento da embaixada da Noruega em Angola e do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o estudo "Integração da Mulher Angolana nos Processos Produtivos: O Percurso no Gozo dos Direitos Económicos e Sociais" - realizado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola - envolveu a inquirição de 120 mulheres zungueiras (vendedoras ambulantes), moambeiras (importadoras de mercadorias do estrangeiro) e empregadas domésticas, bem como 19 mulheres com cargos de liderança.

O coordenador do departamento de ciências sociais do CEIC, Nelson Pestana, disse à agência Lusa que o estudo procura analisar em que medida existe uma integração efectiva da mulher não apenas na política, no sector social, mas também no tecido produtivo.

Segundo o investigador, o sistema de género existente em Angola é ainda baseado numa forte desigualdade entre os sexos feminino e masculino, suportado pela definição de papéis específicos para homens e para mulheres. "Tem a ver também com uma realidade muito presente e que é efectivamente promotora também de desigualdade não só de género, mas também social, que é a pobreza, que tem também a ver com o perfil da nossa população, caracterizada por um baixo nível de escolaridade", disse Nelson Pestana. "Porque normalmente as pessoas com menos escolaridade têm menos acesso ao trabalho, geralmente são as mulheres, e por isso elas normalmente encontram emprego ou pelo menos uma actividade geradora de rendimento no informal e não no formal", acrescentou.

Para o docente universitário, existem várias políticas governamentais cingidas à questão do género, mas frisou a indisponibilidade de meios necessários para a sua materialização. "Como quem tem o poder são homens, dominados por essa ideologia patriarcal não põem à disposição dessas políticas os meios necessários e enquanto essas políticas não se realizarem vão servir apenas como justificação moral e não como instrumentos de mudança social", sublinhou.