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Energia

Angola entre os mais expostos a riscos da transição energética, diz consultora

A consultora Verisk Maplecroft considerou este Domingo que os países produtores de petróleo, entre os quais elenca Angola e Guiné Equatorial, arriscam-se a enfrentar uma forte instabilidade social devido à quebra de receitas desencadeada pela transição energética.

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"Com a transição energética a acelerar, e a covid-19 a eliminar qualquer recuperação petrolífera feita nos últimos anos, o tempo está a acabar para um conjunto de países que não conseguiram diversificar as suas economias para além da exportação de combustíveis fósseis", lê-se num relatório sobre a transição energética.

Argélia, Iraque e Nigéria "estão entre as primeiras vítimas desta lenta onda de instabilidade política que vai engolir os produtores petrolíferos mais expostos", acrescenta-se no documento enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, e no qual se aponta, de seguida, Angola, Guiné Equatorial e Cazaquistão.

"Estes países também vão ser atingidos a não ser que se adaptem à ameaça que o afastamento dos hidrocarbonetos coloca para as suas economias", lê-se ainda no texto.

As companhias petrolíferas estão a mudar os modelos de negócio para apostarem em combustíveis menos poluentes, entre os quais se destaca o gás e as energias renováveis, e vários bancos multilaterais de financiamento, como o Banco Africano de Desenvolvimento, já anunciaram que vão deixar de financiar investimentos em combustíveis 'sujos', como o carvão.

"A nossa análise sugere que muitos, se não a maioria, dos produtores petrolíferos vão debater-se com a diversificação principalmente porque lhes faltam instituições legais e económicas adequadas e as infra-estruturas e o capital humano necessário", dizem os analistas da Verisk Maplecroft.

"Mesmo que estas instituições estejam a funcionar, o ambiente político, os desafios de governação e corrupção e os interesses ocultos significam que alguns não vão conseguir reformar-se, ainda que este seja claramente o caminho racional", opinam.

Para além dos países do Médio Oriente, a Verisk Maplecroft elenca vários produtores na África Ocidental "com sistemas políticas frágeis e autocráticos ou semi-autocráticos, como Angola, Gabão, Congo, Camarões e a Guiné Equatorial".

Todos estes países, alertam, "têm regimes cambiais restritivos que os expõem a desvalorizações abruptas da moeda", o que influencia o poder de compra dos cidadãos e é, por isso, mais um risco político para estes governos.