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Cem artistas lusófonos, entre os quais os angolanos Ondjaki e Lopito Feijóo, vão traçar Mapas do Confinamento

Cerca de 100 artistas lusófonos, entre os quais os angolanos Ondjaki e Lopito Feijóo, aceitaram contribuir para os Mapas do Confinamento, uma página de Internet lançada por dois autores portugueses residentes no estrangeiro que pretende servir de memória futura sobre a covid-19.

: Lopito Feijóo
Lopito Feijóo  

Gabriela Ruivo Trindade disse à agência Lusa que este projecto poderá ajudar a perceber "de que forma, material e imaterial, objectiva e subjectiva, a pandemia afectou e afecta a criação dos vários artistas envolvidos, e como isso transparece na sua própria criação".

Foi das frequentes conversas à distância, por telefone, que Trindade e Nuno Gomes Garcia, residentes em Londres e Paris, respectivamente, que surgiu a ideia de reunir testemunhos em língua portuguesa sobre a experiência da pandemia.

Os dois perceberam que, mesmo estando a viver em países com realidades e abordagens diferentes, as palavras usadas eram idênticas para escrever sentimentos sobre confinamentos sucessivos, isolamento ou preocupações com a desigualdade e a pobreza.

"Foi durante essas conversas que nos perguntámos como seria nos outros países que falam português. Se, apesar das realidades totalmente distintas onde vivemos, um lusófono que vive na Europa utilizaria as mesmas palavras que um lusófono a viver no Brasil, em Angola ou em Moçambique para exprimir esses sentimentos provocados pelo confinamento", explicou a escritora, vencedora em 2013 do prémio LeYa com o primeiro romance, "Uma Outra Voz".

A página [https://www.mapasdoconfinamento.com/] pretende, explicou, "criar uma plataforma de união entre vários artistas de língua portuguesa, ou ligados à língua portuguesa", mobilizando escritores, poetas, ilustradores, artistas plásticos, fotógrafos ou actores, e "superar os obstáculos causados pela pandemia à criação artística".

O projecto pretende também ser um "acto de resistência" ao expor a "realidade já de si catastrófica" de falta de apoios à cultura que os respectivos profissionais sentiram nos últimos meses.

A página foi lançada este mês, coincidindo com o primeiro aniversário da pandemia da covid-19, declarada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde em 11 de Março de 2020.

Os angolanos Ondjaki e Lopito Feijóo, os portugueses Afonso Cruz, Ana Luísa Amaral, Ana Cristina Silva e Rui Zink, os brasileiros Nara Vidal, João Anzanello Carrascoza, Ronaldo Cagiano, Marcela Dantés, os moçambicanos Hirondina Joshua e Mélio Tinga e o guineense Emílio Tavares Lima são alguns dos contribuidores.

A rede de colaboradores estende-se ao Reino Unido, França e Holanda, onde estão vários dos tradutores, já que o site também terá versões dos textos em inglês e francês.

Gabriela Ruivo Trindade vive em Londres, onde dirige a livraria online Miúda Books, dedicada à literatura infantil de língua portuguesa, e Nuno Gomes Garcia, finalista do Prémio LeYa em 2014, publicou este ano o romance "Zalatune", encontrando-se a trabalhar na capital francesa como consultor editorial.