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Economia

Standard & Poor's: dificuldades orçamentais são oportunidade para acelerar reformas em Angola

O analista da agência de notação financeira Standard & Poor's que decidiu a descida do 'rating' de Angola considerou, em entrevista à Lusa, que "as dificuldades orçamentais são uma oportunidade para o Governo acelerar as reformas" no país.

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"As dificuldades orçamentais podem oferecer uma oportunidade para implementar mudanças estruturais no lado da despesa; vemos o trabalho das autoridades com o Fundo Monetário Internacional na reforma dos subsídios como um exemplo disto", disse Benjamin Young, o principal autor do relatório de Fevereiro.

Em entrevista à Lusa a partir de Nova Iorque, o analista sénior de uma das três maiores agências de ‘rating’ do mundo, disse que a S&P "acredita que o sucesso deste tipo de medida orçamental [a reforma dos subsídios aos combustíveis] vai delimitar a capacidade do Governo de apoiar os planos para a diversificação económica”. Isto porque, explicou, as verbas resultantes dos cortes nos subsídios aos combustíveis “podem facilitar a realocação estratégica de fundos para apoiar os sectores da economia ainda em desenvolvimento e o emprego, dependendo das opções políticas do Executivo".

Questionado sobre o impacto dos cortes orçamentais na despesa pública previstos no Orçamento retificativo, Benjamin Young respondeu que "as tensões subjacentes na população de Angola vão continuar a existir", uma vez que "há um descontentamento público sobre a natureza da governação em Angola e a percepção de que os benefícios do crescimento económico têm estado demasiado concentrados nas mãos da elite dirigente”. Por isso, sublinhou, “um corte significativo nos gastos públicos que pretendem corrigir essas assimetrias, como resultado da redução de receitas, pode aumentar essas tensões”.

No entanto, a S&P acredita que “o Governo tem um leque de opções políticas ao seu dispor, principalmente a capacidade de realocar estrategicamente os fundos e a capacidade de usar almofadas orçamentais, com ambas a poderem ser instrumentos importantes na gestão das finanças públicas neste ambiente desafiante”.

Questionado sobre se seria mais prudente recorrer apenas às grandes instituições económicas mundiais, como o Banco Mundial, que praticam taxas de juro tradicionalmente inferiores às da banca comercial, Benjamin Young disse que a resposta depende de vários factores e das contas que as Finanças de Angola terão feito. “Os bancos comerciais tendencialmente são mais caros que os empréstimos contraídos junto do Banco Mundial, mas os custos dos juros teriam de ser medidos contra o retorno dos investimentos nos activos do Fundo Soberano”, explicou o analista, acrescentando que também a moeda em que é feito o empréstimo é importante. “Se a entidade que empresta for estrangeira, isto trará reservas estrangeiras para o país, e melhorará as reservas, mas também aumenta a exposição ao resto do mundo”, explicou Benjamin Young, concluindo, por isso, que “há muitas considerações a ser levadas em linha de conta”, o que impossibilita uma resposta definitiva.