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Luanda Leaks: Consórcio de Jornalistas ainda não recebeu processo prometido por Isabel dos Santos

O presidente do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação disse esta Sexta-feira que a empresária Isabel dos Santos ainda não colocou nenhuma acção em tribunal no âmbito dos ‘Luanda Leaks’, conforme afirmou há algumas semanas.

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"Não recebemos nenhuma ação legal; houve, claro, uma acusação verbal, mas não nos chegou nada ainda", disse Gerard Ryle, durante uma conferência de imprensa que decorre esta Sexta-feira, em Lisboa, juntando figuras ligadas ao denunciante Rui Pinto, que defendem a sua libertação.

No dia 17 de Janeiro, a empresária Isabel dos Santos disse que iria avançar com acções em tribunal contra o consórcio de jornalistas que divulgou a investigação ‘Luanda Leaks’, reafirmando a origem lícita dos investimentos que fez em Portugal.

"Refuto as alegações infundadas e falsas afirmações e informo que deram início as diligências para as acções legais contra a ICIJ [Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação) e parceiros da ICIJ, as quais serão conduzidas pela empresa internacional de advogados Schillings Partners", disse Isabel dos Santos.

A empresária, acusada em Angola de má gestão e desvio de fundos da Sonangol, considera que foi "alvo de uma campanha [...] orquestrada por vários órgãos de comunicação social".

"Foram usados selectivamente imagens e documentos, mal interpretados e supostamente baseados em e-mails obtidos criminalmente por via de 'hacking', para construir uma narrativa enganosa sobre as minhas empresas, investimentos e trabalho em geral", afirmou.

Isabel dos Santos lamentou o que considera "acções irresponsáveis de alguns jornalistas que [...]desencadearam uma tragédia humana e negligenciaram o respeito pelo direito à privacidade".

A empresária, que depois das revelações da investigação jornalística tem anunciado a intenção de alienar as suas participações em várias empresas portuguesas, garantiu que nenhum desses investimentos foi feito com "fundos de origem ilícita".

"Os investimentos realizados em Portugal foram constituídos por fundos lícitos, tendo sido respeitados os procedimentos do Banco Nacional de Angola (BNA) no que se refere ao licenciamento de exportação de capitais", disse.

"As empresas com as quais opero são legítimas, pagam impostos, e nenhuma foi jamais condenada por actividade criminal", acrescentou.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou, no dia de 19 de Janeiro, mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público nacional através de paraísos fiscais.