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Saúde

Organizações pró-albinismo preocupadas com mortes associadas ao cancro da pele

Organizações de defesa de pessoas com albinismo no país expressaram esta Quinta-feira preocupação com a situação da saúde da pele, que tem levado à morte prematura de muitas pessoas devido ao cancro da pele.

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Num comunicado enviado na Quinta-feira à Lusa, o Movimento Pro Albino não avançou o número de mortes, mas recomendou que se continue a advogar junto do Governo a elaboração, aprovação, co-financiamento e implementação do Plano de Acção Nacional pelo Albinismo, alinhado com o Plano de Acção Regional pelo Albinismo em África sob a égide da União Africana e das Nações Unidas.

O assunto foi abordado, em Luanda, no dia 14 deste mês, por grupos e organizações da sociedade civil que analisaram a situação actual das pessoas com albinismo, bem como a proposta de criação de uma rede ou plataforma de rede de organizações que trabalham com este assunto.

Os esforços dos médicos e do pessoal de saúde em salvar as vidas de pessoas com albinismo afectadas pelo cancro, apesar das limitações no acesso aos serviços por parte destes doentes. foi reconhecido pelos participantes ao encontro.

"Um exemplo disso é o facto de existirem somente consultas de dermatologia para pessoas com albinismo em Luanda e nas capitais das províncias na Huíla, Huambo e Benguela", refere o comunicado.

O movimento apela para que se continue a fazer a análise geral da situação das pessoas com albinismo e se incluam também análises por especificidades, nomeadamente faixas etárias, género, e por áreas: educação escolar, saúde da pele, baixa visão e foto-fobia, pessoas e famílias mais vulneráveis, assistência social e questão cultural na perspectiva dos sistemas de crenças/tabus e preconceitos.

A Open Society Initiative Southem Africa (OSISA) está a financiar o funcionamento da Associação de Apoio de Albinos em Angola "4As", em Luanda e na província do Uíge, bem como uma pesquisa quantitativa sobre albinismo, cujos resultados visam advogar um censo da população sensível ao albinismo.

As organizações encorajaram a aposta na divulgação de informação e conhecimento sobre os factores de risco em pessoas com albinismo e as formas de mitigação e superação, concretamente a nível da prevenção.

Em Junho de 2019, foi realizada a I conferência Pro Albinismo em Angola, na qual foi divulgado que a discriminação das pessoas com albinismo ainda é grande no país, segundo um estudo realizado a respeito da situação.

Naquela altura, em declarações à Lusa, o presidente do Movimento Pró Albinismo, Guilherme Santos, disse que o estigma sobre o albinismo depende dos estratos sociais, podendo ser mais presente ou não no meio rural, em famílias de fé cristã ou com maior ou menor acesso ao conhecimento ou na sociedade urbana.