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Deejay Telio: rapper continua a fazer ‘karanganhada’ no novo álbum

O produtor e cantor Deejay Telio edita na Sexta-feira “D’Ouro”, “mais trabalhado” do que o álbum de estreia, mas que continua uma ‘karanganhada’, palavra do crioulo cabo-verdiano que significa “festa, curtição” e define a música que faz.

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Nasceu em Angola, mas vive em Portugal desde os seis anos. Criado no Vale da Amoreira, no Barreiro, começou na música “a dançar kuduro”, depois “a produzir, em 2007/2008 e a cantar foi em 2009”.

Já como cantor foi “sempre tentar e tentar”, até em 2015 “acontecer mesmo”, com o tema “Que safoda”. “No meio de tanta coisa que não funciona, nunca sabes qual é a que vai dar certo. Só tentas, só tentas, fazes mesmo porque gostas, fazes por diversão, nunca sabes ao certo qual é que vai dar frutos”, contou em entrevista à Lusa.

Os temas de Deejay Telio, de 23 anos, contabilizam milhões de visualizações no Youtube, com “Esfrega Esfrega” a superar os 30 milhões, e o músico e produtor reconhece que esta plataforma ‘online’ de partilha de vídeos “foi a salvação”. Para ele e para “todos os artistas de hoje em dia”.

“O Youtube é que nos dá visibilidade, o nosso trabalho roda muito em torno do Instagram, Youtube, Spotify, isso está a salvar-nos, é isso que nos alimenta hoje em dia. Eu digo sempre: se resolverem apagar isso tudo, estamos lixados. Nós todos”, defendeu.

Não fosse o Youtube e Telio teria que ter arranjado um trabalho mais convencional. “Se viemos [imigrámos] por causa de uma vida melhor, é óbvio que a minha mãe vai preferir que eu arranje um trabalho e ajude financeiramente em casa, do que esteja parado a sonhar, e com o tempo comecei a perceber que se a música não desse, tinha que me entregar ao trabalho”, partilhou.

A mãe sempre aceitou que Telio se dedicasse à música, “mas tinha horários”. “Ela vinha do trabalho cansada e pelo menos às 22h00 queria estar a dormir. Eu respeitava e a partir das 22h00/22h30 já não fazia barulho, mas quando começou a funcionar já era diferente, porque já estava a ajudar em casa com o meu sonho”, recordou.

No final de 2018, editou “Happy Day”. Na Sexta-feira chega “D’Ouro”, um álbum que antes de ser já o era. “Estou a intitular uma coisa que ainda não é. Estou a jogar com o psicológico das pessoas: ‘Já ouviste o novo álbum d’ouro do Telio/o novo álbum do Telio d’ouro?’. As pessoas inconscientemente estão a dizer que é, sem sequer ouvirem”, explicou.

Além disso, o segundo álbum chama-se “D’Ouro” porque esta fase da vida de Deejay Telio é “uma fase com mais autoconfiança”.

Em relação a “Happy Day”, o músico e produtor salienta que “há um certo crescimento”. “Sinto que [‘D’Ouro’] foi mais trabalhado, a nível de instrumentais, de refrões, de letras. Sinto que foi mais pensado”, referiu.

O tipo de música que faz mantém-se o mesmo: karanganhada. “Eu não inventei nenhum estilo, sempre trouxe a minha base da minha terra mãe, que é Angola, o ‘afro-house’ e o ‘afro-beat’, depois fui-me inspirando em mais estilos musicais que ouvia, e uma vez que cresci na Europa, querendo ou não, as minhas bases começam também a fazer parte disso”, referiu Deejay Telio.

Acabou por adotar ‘karanganhada’, uma palavra do crioulo de Cabo Verde que de sempre gostou, para explicar a música que faz, já que lhe “diziam sempre” que o ‘beat’ (batida, em português) que criava “era diferenciado”.

Karanganhada “quer dizer festa, curtição, tudo o que é bom, boa ‘vibe’”. “Digo que a minha música é uma festa porque, todos temos problemas nas nossas vidas, para que é que vamos ouvir mais músicas deprimentes?”, disse.

Em “D’Ouro”, que inclui 12 temas, Deejay Telio fez “tudo, menos um ‘beat’” e contou com “dois convidados apenas”: o ‘rapper’ angolano Deedz B e o ‘rapper’ inglês Yxng Bane.

O concerto de apresentação de “D’Ouro”, marcado para 5 de Março no Coliseu de Lisboa, será também o de despedida de “Happy Day”.

Sobre o espectáculo revelou que está a preparar “muita coisa boa” e que para o acompanhar em palco convidou Deedz B, Bispo e David Carreira. “O resto é surpresa”, disse.