Líder dos industriais pede apoio para travar exploração de madeira

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) denunciou a exploração desmedida de madeira na província do Cunene, a registar um período de seca grave, que afecta mais de 280 mil pessoas, e pediu a intervenção das Nações Unidas.
Qilai Shen:
    Qilai Shen

José Severino, que participou Seminário de Priorização Estratégica do Quadro de Parceria entre as Nações Unidas e Angola (UNDAF), para o triénio 2020-2022, pediu o apoio da Organização das Nações Unidas para as questões ambientais.

Segundo José Severino, continuam a ser vistos a circular "dezenas de camiões carregados de toros". "Apelava que, apesar do facto de a madeira fazer divisas, que se tenha muita atenção com esta questão. Houve um grande esforço com aquela operação de resgate das florestas, mas é preciso que se contenha a exploração florestal a níveis muito razoáveis", disse José Severino.

O líder da associação industrial frisou que caso não se tenha em atenção este aspecto, todos os esforços que estão a ser realizados no sector da agricultura para a sua modernização serão gorados nos próximos tempos.

"O Cunene está a ter seca, mas há autorização para explorar madeira no Cunene, no Cuando Cubango, que é a cortina que defende o avanço do deserto do Kalahari. Defendamos o ambiente, que é um propósito que todos nós comungamos, para que os esforços que estão ser feitos neste momento para melhorar as condições de vida no interior do país tenham os efeitos que nós todos ansiamos", frisou.

Uma pesquisa do Governo realizada entre 2010 e 2012 dava conta que o país registava uma redução de 22 por cento dos polígonos florestais na região central do país, resultado de queimadas, desmatamento, crescimento económico, populacional e dependência do carvão.

No ano passado, dados do Governo indicavam uma exportação, em 2016, de 220.801 toneladas de madeira, no valor de 33,3 milhões de dólares, sendo do total 107.000 toneladas comercializadas para a China, seguida do Vietname (35.000 toneladas) e Portugal (26.000 toneladas).

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