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Governador do BNA acredita na estabilidade do kwanza e diz que mercado “vai funcionando”

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) afirmou que a moeda do país, o kwanza, não deverá desvalorizar em 2020 ao nível dos últimos dois anos e sublinhou que o importante é assegurar a estabilidade do mercado.

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“Temos um mercado que agora vai funcionando. Não pretendemos ver uma apreciação artificial da nossa moeda”, afirmou José de Lima Massano numa conferência de imprensa em Luanda.

Esta situação ocorreria se a variação da taxa de câmbio não acompanhasse a evolução dos preços na economia, tornando a economia angolana “menos competitiva relativamente ao exterior, estimulando mais importações e mais contratação de serviços a não residentes”, sintetizou.

Lima Massano destacou que o importante é manter a “estabilidade” do mercado e é nesse sentido que o BNA tem tomado medidas.

“Seguramente não teremos no ano de 2020 o nível de depreciação da moeda que tivemos nos dois últimos anos, a menos que haja uma desgraça muito grande”, considerou o governador.

“O exercício que fazemos vai no sentido de estabilidade e o BNA, com os instrumentos que tem à sua disposição, vai procurar manter um curso restritivo de política monetária para assegurar estabilidade, dando espaço ao mercado para funcionar”, reforçou.

Segundo o site Angola Forex, o kwanza negociou esta Segunda-feira a uma taxa média de 496,55 face ao dólar e de 548,10 face ao euro.

Na nota enviada aos clientes no final do ano passado, a Fitch Ratings avisou que a evolução do 'rating' de Angola, actualmente com tendência negativa, iria depender da capacidade de estabilização das reservas internacionais e da evolução da cotação da moeda.

"O kwanza caiu significativamente para além da nossa estimativa para o final do ano, que era de 344 kwanzas por dólar, que tínhamos usado nas nossas projecções para a dívida; como cerca de 60 por cento da dívida é em moeda estrangeira, aumentámos a nossa previsão para o rácio da dívida pública face ao PIB [produto interno bruto] no final deste ano, de 84 por cento para 98 por cento", referia a Fitch.

Segundo os analistas da agência de 'rating', as medidas de política monetária que têm sido tomadas pelo Banco Nacional de Angola "estão em linha com o programa do Fundo Monetário Internacional e, por isso, Angola garantiu a aprovação da segunda revisão do programa".

No entanto, alertavam na nota, a evolução do 'rating', em perspetiva de evolução negativa desde junho, está ligada ao "impacto destas medidas na qualidade do crédito soberano, que vai depender de o país conseguir estabilizar as reservas e a extensão da depreciação da moeda nacional".

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