TCUL há 26 dias em greve por nove meses de salários em atraso

A União Nacional dos Trabalhadores Angolanos - Confederação Sindical (UNTA-CS) diz-se solidária com a greve dos trabalhadores da maior transportadora pública de Luanda, que entrou no seu 26.º dia.
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Em causa estão, essencialmente, os nove meses de salários em atraso aos trabalhadores da empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL), situação que até ao momento não obteve qualquer resposta quer da entidade patronal quer do Ministério dos Transportes.

Em declarações à agência Lusa, o Secretário-geral da UNTA-CS, Manuel Viage, disse que antes mesmo de a greve ter iniciado foram feitos contactos com a entidade patronal, que prometeu dar solução ao problema.

"Agora está a tentar encontrar formas de resolver o problema, enquanto isso a greve mantém-se. A greve está declarada e só será levantada quando houver alguma solução concreta", disse Manuel Viage.

Segundo o sindicalista, a UNTA-CS está solidária com os trabalhadores da TCUL e "tudo o que poderia ter feito do ponto de vista do diálogo já o fez".

"Nós não vamos fazer novo contacto, estamos em greve e temos que esperar que a outra parte faça o contacto", reforçou o secretário-geral da maior central sindical angolana.

Instado a comentar o silêncio da entidade patronal e do ministério de tutela, Manuel Viage aventou a hipótese de "haver dificuldades para se encontrar a resolução concreta do problema".

"A outra parte não deve estar a ter facilidade para satisfazer o que está a ser reivindicado", frisou Manuel Viage, lembrando que a UNTA é parte e não mediadora do conflito.

Por sua vez, o secretário-geral adjunto da comissão sindical dos trabalhadores da TCUL, Domingos Palanga, disse hoje à Lusa que vão manter a greve até que as reivindicações sejam atendidas, reafirmando disponibilidade para o diálogo com a entidade patronal.

"De segunda a sexta-feira mantemo-nos defronte às instalações da empresa disponíveis para negociação e estranhos o facto de as entidades remeterem-se ao silêncio relativamente à situação", disse Domingos Palanga.

Acrescentou que caso não haja medidas concretas, pelo menos seja manifestado que está a ser feita alguma coisa para se resolver o problema.

"É preciso dar-se o ponto da situação, porque estamos numa incerteza e à medida que o tempo passa a situação vai-se degradando cada vez mais. Não está só a ferir direitos trabalhistas, mas também direitos constitucionais", lamentou o sindicalista.

Questionado se decorrido esse tempo tentaram novo contacto com a direcção da empresa, Domingos Palanga disse que desde o dia 18 de Dezembro, o director-geral da empresa não se faz presente ao local e não há informações de onde está a funcionar.

A greve, com 97 por cento de adesão, envolve um total de 1900 trabalhadores, e protesta igualmente a retirada de algumas regalias, como o seguro de saúde, o pagamento de continuidade e de pontualidade. A TCUL é responsável pelo transporte diário de mais de 100.000 passageiros.

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