ONU: Angola sai da recessão e cresce 1,9 por cento este ano

Angola já recuperou da recessão económica de 0,7 por cento, em 2016, e vai crescer 1,9 por cento este ano e 2,7 por cento até 2019, de acordo com o relatório das Nações Unidas sobre a Situação Mundial e Perspectivas Económicas (WESP).
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O relatório elaborado pelo departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e as cinco comissões regionais afirma que o crescimento angolano será sustentado "no aumento da actividade industrial e na melhoria da oferta de energia".

O crescimento este ano é, ainda assim, bastante inferior à média entre 2009 e 2016, que registou um valor de 3,5 por cento, e ainda mais abaixo de 2012 e 2013, anos em que a economia de um dos maiores produtores de petróleo da África subsaariana cresceu 8,5 por cento e 5,0 por cento, respectivamente.

Registando que as eleições de Agosto "decorreram de forma geralmente pacífica", os peritos das Nações Unidas sustentam que a inflação está a diminuir, "apesar de se manter alta, devido a pressões sobre a moeda externa e taxas de câmbio paralelas desvalorizadas".

A ONU prevê uma descida da inflação, de 41,2 por cento no ano passado, para 28 por cento este ano e nova redução nos dois anos seguintes, para 19,4 por cento e 16,7 por cento, respectivamente.

"A perspectiva de evolução para África permanece sujeita a vários riscos" internos e externos, nota o documento lançado em Nova Iorque, nomeadamente na vertente financeira. "Do ponto de vista externo, um aumento superior ao esperado nas taxas de juro globais ou um aumento nos juros dos títulos de dívida soberanos pode diminuir o acesso ao financiamento, que se tornou nos últimos anos uma fonte cada vez mais importante para o investimento nacional, e colocar em perigo a sustentabilidade da dívida", lê-se no texto.

A descida dos ratings, das exportações ou uma inversão do crescimento dos preços das matérias-primas são alguns dos factores que podem fazer diminuir o Investimento Directo Estrangeiro e as remessas dos emigrantes, o que pode ameaçar o fôlego da retoma, notam os analistas das Nações Unidas.

Internamente, concluem, os maiores riscos para os países africanos, que deverão crescer 3,5 por cento e 3,7 por cento nos próximos dois anos, estão na ausência de políticas de ajustamento aos preços mais baixos das matérias-primas.

Esta falta de políticas, notam, "pode por em causa a estabilidade macroeconómica e a tendência de crescimento em muitos países", que enfrentam também a possível escalada de violência por causa de ameaças à segurança, "especialmente na região do Sahel e na Somália, e instabilidade política em vésperas de eleições no Egipto, Nigéria e África do Sul".

O relatório das Nações Unidas defende, a nível global, que o crescimento de 3 por cento, o mais alto desde 2011, deve fazer os decisores políticos apostarem em temas de longo prazo.

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