Quedas de Kalandula voltam a ter pousada após décadas de abandono

A emblemática pousada construída há cerca de 70 anos, no período colonial português, com vista para as quedas de Kalandula, na província angolana de Malanje, voltou a funcionar, após décadas de abandono, agora inserida num projecto de agroturismo.
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Aquelas quedas, as segundas maiores em África, a seguir às de Victoria, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabué, foram eleitas em Maio de 2014 como uma das sete maravilhas de Angola, mas até agora sem qualquer estrutura hoteleira de apoio.

O empresário Francisco Faísca liderou o processo de reabilitação da pousada Quedas de Kalandula, fechada há várias décadas, devido à guerra civil, que envolveu ainda a recuperação de 500 hectares na envolvente das quedas, para a produção agrícola. "O projecto, ao fim e ao cabo, acaba por ser mais um projecto agrícola do que de turismo. O turismo foi envolvido", explicou.

Localizadas a quase 500 quilómetros de Luanda, Quedas de Kalandula é a designação pós-independência dada às quedas do Duque de Bragança, como eram conhecidas no período colonial, quando prosperou o turismo local.

A pousada, construída na década de 1950, foi agora ampliada para sete quartos, dando emprego a cerca de 20 trabalhadores locais, após um processo de reabilitação que se prolongou por vários meses.

"Foi bastante, um bom bocado acima daquilo que nós tínhamos inicialmente previsto", desabafa Francisco Faísca, sem querer adiantar o montante do investimento feito na pousada, com vista para as quedas.

Para os turistas fica a imponente imagem de 105 metros de altura das quedas, para uma extensão de 400 metros de águas do rio Lucala, por sua vez o mais importante afluente do Kwanza, o maior rio de Angola.

Já a parte agrícola agora associada à histórica pousada está sobretudo centrada na produção de cereais, como milho, soja e mandioca, dando emprego a 200 angolanos.

Os últimos dados disponíveis do Governo, referentes a 2015, indicavam que o país contava com cerca de 180 unidades hoteleiras, de várias dimensões, totalizando cerca de 8000 camas e mais de 190.000 postos de trabalho.

Contudo, o turismo faz-se essencialmente de nacionais e estrangeiros residentes em Angola, devido às apertadas regras de acesso a vistos de turista para entrar no país. De resto, uma realidade que Francisco Faísca vai percebendo ao fim das primeiras semanas de funcionamento da remodelada Pousada Quedas de Kalandula.

"Temos muitos turistas nacionais, mas também temos muitos turistas estrangeiros. Mas de estrangeiros que trabalham cá, é um turismo mais de trabalho do que vindo do exterior", reconhece.

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