Linha férrea que ligará Luanda ao novo aeroporto pronta em Março de 2019

A segunda linha dos Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), que ligará a capital ao novo aeroporto internacional e cujos trabalhos começaram em Setembro de 2016, está concluída em Março de 2019, disse fonte da empresa.
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Segundo o porta-voz dos CFL, António Osório, citado no Jornal de Angola, os trabalhos em curso, além da própria linha, que parte da estação do Bungo, envolvem a construção de seis novas gares e de novas oficinas, estas situadas em Catete, a nordeste de Luanda.

António Osório indicou que os CFL vão pôr novos comboios para a linha a inaugurar que serão "um pouco diferentes" das já existentes. "As novas locomotivas terão uma configuração diferente das actuais, por serem modernas, ligeiras e velozes e transportam um maior número de pessoas", referiu.

O programa de modernização dos CFL visa melhorar algumas oficinas gerais no bairro do Cazenga, na colocação de novos equipamentos e outros materiais que vão beneficiar e optimizar o sector.

Sobre a conclusão de obras, Augusto Osório lamentou o facto de a construtora não estar a cumprir com o prazo previamente estabelecido, por também se ter ressentido da crise económica e financeira que o país atravessa. "Se tudo correr bem, penso que até Março de 2019 ficam concluídas as obras", afirmou.

O novo aeroporto internacional de Luanda, conhecido pela sigla NAIL, situa-se em Viana, 40 quilómetros a sudeste da capital, estando previsto que, se os prazos forem cumpridos, que esteja operacional em 2020.

O NAIL constituirá um dos maiores aeroportos de África, com capacidade para 15 milhões de passageiros/ano, um volume de mercadorias de 50 mil toneladas/ano e ocupando uma área de 1324 hectares.

Tem duas pistas duplas e está dimensionado para receber aeronaves do tipo B747 e A380 – actualmente o maior avião comercial. Contempla ainda a construção de raiz de uma cidade aeroportuária que cobrirá uma área de construção de 75 quilómetros quadrados.

Por outro lado, o programa de modernização dos Caminhos-de-Ferro, sob responsabilidade do Ministério dos Transportes, tem o acompanhamento do CFL, enquanto beneficiário, salientou António Osório.

O porta-voz do CFL disse, por outro lado, que na capital os que mais fazem uso regular do Caminho-de-Ferro de Luanda são maioritariamente funcionários públicos e privados, estudantes, comerciantes e, sobretudo, pessoas que fazem o transporte de mercadoria de Luanda para os outros municípios e vice-versa.

Nos serviços de médio e longo curso, como a ligação de Luanda a Malanje, Ndalatando, Dondo e para o resto do interior do país, são normalmente transportados bens industriais, entre produtos do campo e outros ligados à pesca e à caça.

António Osório reconheceu que, actualmente, os CFL são uma empresa deficitária, pois não tem contribuído, "como devia ser", para os cofres do Estado, alertando para a necessidade de a empresa necessitar de mais investimentos.

Segundo o porta-voz, os CFL têm enfrentado "um grande desafio", sobretudo com os acidentes que se têm registado ao longo da linha férrea. Explicou que mesmo com a construção de um muro de vedação para evitar acidentes, infelizmente, o espaço tem sido invadido, criando grandes constrangimentos.

António Osório indicou que, em média, por semana, estão a ser registados entre três a quatro atropelamentos, o que lamentou, assegurando, porém, que a colisão entre comboios e automóveis diminuiu consideravelmente.

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