Ministro das Finanças diz que Angola não descarta assistência técnica do FMI

Angola está a avaliar a possibilidade de pedir uma assistência técnica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), eventualmente com financiamento, face às necessidades que o país enfrenta, declarou o ministro das Finanças, Archer Mangueira.
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A possibilidade foi admitida pelo governante, numa entrevista divulgada pelos meios de comunicação social públicos, realizada após reuniões regulares que Archer Mangueira manteve nos últimos dias em Washington com o FMI e o Banco Mundial.

Uma segunda emissão de eurobonds - títulos da dívida pública emitidos em moeda estrangeira - ou o recurso ao FMI são hipóteses em cima da mesa, segundo Archer Mangueira, para "cobrir o gap de financiamento e fazer face às necessidades do Estado".

"A emissão de eurobonds visa contribuir para este objectivo - no sentido de reduzir o gap de financiamento e do défice fiscal, mas ainda assim não será suficiente para o nível de necessidades que o país tem. Temos estado também a dialogar com o FMI no sentido de avaliarmos a possibilidade de uma assistência técnica. Se será com ou sem financiamento é um tema que ainda não foi tratado", afirmou Archer Mangueira, na mesma entrevista.

Em Junho de 2016, o Ministério das Finanças na altura confirmou que o Governo tinha descartado um apoio financeiro do FMI, no âmbito do pedido de assistência solicitado em Abril do mesmo ano, justificando a decisão com a subida da cotação do petróleo.

Em abril deste ano, o ministro das Finanças afirmou, em entrevista à Lusa, também em Washington, afirmou que o recurso a financiamento do FMI "não faz parte da agenda" de Angola, numa alusão ao ano de 2017. "Não faz parte da nossa agenda. O nosso plano de endividamento foi aprovado, divulgado e é público", disse o ministro Archer Mangueira.

Recorrer a financiamento do FMI permitiria ter acesso a taxas de juro mais baixas, mas implicaria um maior controlo do organismo internacional sobre as contas do país.

O Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2017 prevê que as receitas fiscais só deverão cobrir 49,6 por cento das necessidades totais, acrescido das receitas patrimoniais, com 6,7 por cento, de acordo com o mesmo documento.

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