U.Porto ganha “Cátedra Agostinho Neto” para estudos da literatura angolana em Portugal

A Universidade do Porto (U.Porto) ganhou esta semana a “Cátedra Agostinho Neto” através de um acordo “simbólico” e “importante” para estudo das línguas, culturas e literatura angolanas em Portugal, disse à Lusa o futuro responsável pela cátedra.
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A presidente da Fundação António Agostinho Neto (FAAN), Maria Eugénia Neto, e a directora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), Fernanda Ribeiro, assinaram esta semana, no Porto, um protocolo para a criação da “Cátedra Agostinho Neto", no âmbito de uma homenagem ao 40.º aniversário da morte de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola e considerado o patrono da poesia nacional, que conduziu o nosso país à independência.

Em declarações à Lusa, o futuro responsável da cátedra, Francisco Topa, reconheceu que a assinatura do protocolo “é muito simbólico e muito importante” para Portugal e Angola, porque apesar de não ir “mudar o mundo”, vai ajudar a “normalizar e a aprofundar as relações" entre os dois países.

“É a segunda cátedra que esta fundação [Agostinho Neto] cria. A primeira surgiu na Universidade de Roma Tre, em Itália, e a segunda é criada em Portugal, na Universidade do Porto, e creio que há dois ou três anos, devido a uma certa tensão que ainda persistia entre os governos de Angola e Portugal, talvez não tivesse sido possível fazer este acordo”, acrescentou o professor universitário.

A “Cátedra Agostinho Neto” traduz-se num “apoio logístico e financeiro” da parte da Fundação António Agostinho Neto ao estudo das línguas, das culturas e da literatura angolana em Portugal, em concreto na Universidade do Porto (U.Porto), com destaque para a obra de Agostinho Neto, explicou Francisco Topa, também professor da Faculdade de Letras da U.Porto.

A iniciativa, acrescenta, vem ajudar a “criar melhores condições” para o ensino de estudos da literatura angolana na U.Porto, à semelhança do que Portugal faz um pouco por todo o mundo, “quando cria uma cátedra Jorge de Sena ou José Saramago ou Sophia de Melo Breyner”. 

“Neste caso é Angola, antiga colónia, que cria na antiga metrópole uma cátedra vocacionada para o estudo das línguas, da literatura angolana e em particular do seu patrono, Agostinho Neto”, refere.

No âmbito das manifestações culturais para assinalar o 40.º aniversário da morte de Agostinho Neto, que se realizaram no Porto, a cidade recebeu vários homens de letras de diferentes países lusófonos num colóquio denominado “Agostinho Neto e os Prémio Camões Africano”, como Luís Kandjimbo, José Luís Mendonça, António Quino, Cristóvão Neto e David Kapelenguela.

Além de Maria Eugénia Neto, a viúva de Agostinho Neto, também a filha, Irene Neto, participou na homenagem a António Agostinho Neto, bem como o embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola em Portugal, Carlos Alberto Fonseca.

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