Inflação mensal continua acima de um por cento em Abril

A taxa de inflação voltou a subir entre Março e Abril, mais de 1 por cento, com o acumulado dos últimos 12 meses a permanecer acima dos 20 por cento, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
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Segundo o relatório mensal do INE sobre o comportamento da inflação, ao qual a Lusa teve acesso, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou uma variação de 1,22 por cento em Abril, contra os 1,44 por cento em Março, os 1,26 por cento de Fevereiro e os 1,47 por cento de Janeiro.

Trata-se da variação mensal mais baixa desde o início do ano. Este registo contrasta ainda com o pico mais recente, de 2017, entre Setembro e Outubro, período em que os preços aumentaram 2,39 por cento, logo após as eleições gerais de Agosto.

O pico da inflação mensal nos últimos anos registou-se em Julho de 2016, quando, no espaço de um mês, os preços registaram um aumento médio de 4 por cento.

A inflação acumulada a 12 meses desceu em Abril para 20,22 por cento, contra os 20,9 por cento acumulados até Março, segundo o IPCN.

Segundo o INE, a subida de preços em Abril de 2018 foi influenciada sobretudo pelos sectores "Bens e Serviços Diversos", com 1,85 por cento, pelo "Lazer, Recreação e Cultura", com 1,81 por cento, pelo "Vestuário e Calçado", com 1,71 por cento, e pela "Saúde", com 1,69 por cento.

Os aumentos de preços no terceiro mês do ano foram liderados pelas províncias da Cunene (2,10 por cento), Namibe (2,06 por cento), Malanje (2,04 por cento) e Cuanza Sul (1,92 por cento), enquanto as com menor variação foram Benguela (1,10 por cento), Bié (1,11 por cento), Cuando Cubango (1,13 por cento) e Luanda (1,16 por cento).

Desde Setembro de 2014 que a inflação não para de aumentar, acompanhando o agravamento da crise económica, financeira e cambial decorrente da quebra na cotação internacional do barril de petróleo bruto, o que fez disparar o custo, nomeadamente dos alimentos.

O Governo prevê chegar ao final de 2018 com uma inflação acumulada de 28,7 por cento (entre Janeiro e Dezembro), mas a previsão é abalada depois de, nos dois últimos anos, ter visto a meta largamente ultrapassada e sempre a dois dígitos, devido à crise. A concretizar-se, este será o segundo valor anual da inflação mais alto desde 2004 em Angola.

A previsão para 2018 é desde logo condicionada pelo novo regime flutuante cambial, em que a taxa de câmbio é definida pelo mercado, nos leilões de divisas realizados pelo Banco Nacional para os bancos comerciais.

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