Banco central destaca estabilidade do kwanza apesar de depreciação para mínimos

O vice-governador do Banco Nacional de Angola destacou a maior estabilidade e flexibilização da moeda nacional, apesar da depreciação para mínimos históricos do kwanza face ao dólar, resultado das medidas aplicadas em 2018.
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Questionado sobre o assunto pela agência Lusa no final de uma apresentação sobre os principais indicadores económicos do sector da banca em Angola, Manuel Tiago Dias salientou que, com o esforço feito ao longo do ano passado, "tendo em conta a evolução dos principais indicadores macroeconómicos", há hoje "uma relativa estabilidade" face ao dólar e euro.

"Houve um processo de normalização do mercado cambial realizado pelo BNA ao longo de 2018 e que permitiu, em particular, uma maior flexibilização da taxa de câmbio. O grosso do esforço de estabilização ocorreu em 2018, razão pela qual, tendo em conta a evolução dos principais indicadores macroeconómicos, o que se observa agora é uma relativa estabilidade do kwanza em relação às principais divisas", disse.

Segundo dados do BNA, a moeda angolana atingiu mínimos históricos face à norte-americana, ao fixar-se nos 317,192 kwanzas/dólar, ultrapassando os 316,300 kwanzas/dólar atingidos em novembro de 2018, e depreciou-se frente à europeia para valores próximos também dos mínimos.

Em relação ao dólar, desde Novembro de 2018 que a moeda angolana oscilava entre os 310 e os 315 kwanzas.

Face à moeda europeia, a angolana tem vindo a depreciar-se ligeiramente desde terça-feira, quando se transacionou a 355,347 kwanzas/euro, situando-se nos 358,300 kwanzas/euro, próximo do mínimo histórico registado a 1 deste mês (359,851 kwanzas/euro).

Em Janeiro de 2018, face ao pico da crise económica que o país vivia, as autoridades começaram a vender aos bancos comerciais as divisas em leilão, primeiro trissemanais e actualmente diárias, com a moeda angolana a transaccionar-se, então, a 185,40 kwanzas/euro. Desde essa altura, o kwanza depreciou-se 48,255 por cento.

Tendo também em conta o dia em que começaram as vendas de divisas em leilão à banca comercial em Angola, a 9 de Janeiro de 2018, quando se transacionava a 165,92 kwanzas/dólar, a moeda angolana depreciou-se 47,690 por cento desde então. 

No mercado paralelo, o euro está a transacionar-se entre os 450 e 470 kwanzas, enquanto o dólar se troca entre os 390 e 410 kwanzas. Este mês, o BNA indicou que irá colocar no mercado 700 milhões de dólares.

Nas declarações aos jornalistas, Manuel Tiago Dias escusou-se a adiantar se a tendência de depreciação do kwanza em relação às moedas norte-americana e europeia é para manter ou não, admitindo que tudo "vai depender da própria dinâmica da economia". Manuel Tiago Dias reconheceu também que o processo de depreciação "não está concluído".

"Não podemos dizer que o processo está concluído. O que se constata é que, tendo em conta o grande esforço feito no passado, em particular a regularização dos atrasados e também à grande flexibilidade da taxa de câmbio, permitiu uma maior convergência entre as taxas de câmbio do mercado informal e formal. O que se observa agora é uma maior estabilidade cambial entre o kwanza em relação ao dólar e ao euro", referiu.

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