Ex-presidente do BFA afirma que estão a ser tomadas medidas certas para a diversificação

O antigo presidente do Banco Fomento Angola (BFA) Emídio Pinheiro considerou à Lusa que o Governo de Angola está a tomar as medidas certas para diversificar a economia e melhorar o ambiente de negócios.
Rui Gaudêncio:
    Rui Gaudêncio

"Estão a ser tomadas as medidas certas para a diversificação económica de Angola", disse o antigo banqueiro, à margem da sua participação na quarta sessão do Projecto 'Conhecer Angola', uma iniciativa da Câmara de Comércio e Industria Portugal - Angola (CCIPA), que decorre na Quinta-feira em Lisboa.

"A diversificação é tanto das exportações, com o do mercado interno, em particular a substituição de importações", considerou o agora consultor independente, vincando que "esse processo depende em larga escada do investimento estrangeiro, que é muito sensível a questões quer de governação do país, quer das próprias empresas".

Para Emídio Pinheiro, o facto de estarem a ser tomadas medidas para melhorar os instrumentos e a realidade do ambiente de negócios, além de medidas que ajudam a alterar a percepção e imagem que as pessoas têm de Angola, torna mais fácil atrair investimento estrangeiro.

"O que tenho visto é que as coisas têm progredido, há bastante interesse e um interesse renovado em Angola", vincou, exemplificando com a recente visita do Presidente italiano a Luanda e as várias viagens do Presidente João Lourenço "a destinos que podem catalisar o investimento e a diversificação, mas não é possível apresentar resultados a muito curto prazo, porque isto são processos lentos", acrescentou.

"Havendo incentivos, nomeadamente a necessidade de procura de novos mercados e novas oportunidades, a resposta empresarial está lá, porque houve muitas empresas que face à crise doméstica e à escassez de divisas, pegaram na pastinha e foram exportar", sublinhou.

A intervenção de Emídio Pinheiro na sessão de Quinta-feira, com o tema 'O dia-a-dia em Angola - desafios e conselhos práticos', chama também a atenção para a necessidade de os empresários que pretendem investir no país terem a noção de que é preciso ser realista.

"A sociedade é que o é, que não vou lá para mudar, tenho de ser frio na análise que faço da sociedade e saber que não posso esperar grandes mudanças a curto prazo", disse o antigo banqueiro, salientando que é preciso "limpar a mente de preconceitos e deixar espaço para novas dinâmicas e novas ideias".

Saber ouvir, ter um forte respeito pelo país, pela cultura, história e símbolos de Angola, com toda a humildade, e nunca desistir são outros dos conselhos deixados por Emídio Pinheiro, que alertou que "os ingredientes e os motivos para desistir são muitos e variados, quase diários".

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