A Opinião de Janísio Salomão

Terminaram as eleições e agora o que se espera?


Terminaram as eleições e agora o que se espera?

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

Como consabido, terminou o pleito eleitoral realizado no pretérito mês de Agosto e, igualmente o Tribunal Constitucional (TC) deu por findo o contencioso eleitoral levado a cabo pelos partidos políticos da oposição, validando assim os resultados definitivos divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
Angop:
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O MPLA venceu com 61,077% dos votos, seguido pela UNITA com 26,678%, CASA-CE com 9,445%, PRS 1,353%, FNLA 0,934% e APN com 0,513%. (cf. Despacho n.º 14/17 de 14 de Setembro CNE).

Como não poderia deixar de ser, surge a seguinte indagação, e agora? O que se segue? o que se pode esperar?

Desde meados de 2014 que Angola vive imbuída numa crise económica  e financeira tendo como um dos factores (não sendo o único) a queda abrupta do preço de barril de petróleo, a principal commodity utilizada na balança comercial Angolana e a principal financiadora do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Um dos factores que deixa a população Angolana expectante, é o principal cabeça de lista a Presidente da República pelo MPLA, João Lourenço (JLO) bem como o seu Vice-Presidente Bornito de Sousa (BS);

São rostos que nutrem, despertam e inspiram esperança na população angolana e sobretudo na camada juvenil e intelectual que espera alguma mudança no paradigma governativo do País, a julgar pelos discursos com que JLO nos brindou aquando do seu périplo pelas diversas capitais do País, outrossim, BS um homem com uma verticalidade e intelectualidade a que já nos habituou, estará a altura de coadjuvar o Presidente da República nas suas funções.

Auguramos que, as características susoditas, sejam transportadas para o novo Executivo a ser formado pós 26 de Setembro, data aprazada para à investidura do Presidente da República ora eleito.

Os desafios são ingentes e, o futuro executivo à ser formado tem plena consciência disto, para tal, basta olharmos para os resultados que eclodiram do recente pleito eleitoral.

A crise que o País vive ultimamente, acabou por agudizar ou fragilizar diversos sectores, com grande enfoque para o social e económico, que constituem o principal “calcanhar de aquiles” do executivo a ser formado pós 26 de Setembro.

As questões relacionadas com a pobreza, o desemprego, problemas no sector da saúde e educação, não podem ser colocadas de parte, tal como fez questão de mencionar JLO nos diversos pronunciamentos efectuados nos médias.

O que se espera?

Espera-se que o Executivo, conforme o lema do MPLA, partido vencedor possa “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem” a começar pela: 

  1. Reforma do Governo, através do emagrecimento dos Departamentos Ministeriais, extinção ou mesmo fusão de ministérios ou secretarias;
  2. Introdução de novos rostos, sobretudo rostos novos com conhecida competência, formação,  idoneidade e responsabilidade;
  3. Eleger a meritocracia e competência como critério sine qua non;
  4. Aprimorar o diálogo como o cidadão em que, o governante possa despir-se dos cargos e vivenciar a realidade do governados;
  5. Combater a corrupção, amiguismo e compadrio, tal conforme o apanágio dos discursos propalados por JLO;
  6. Materialização de programas e projectos que venham efectivamente garantir a diversificação da economia;
  7. Reduzir as taxas de desemprego e pobreza tendo a testa a massificação do sector privado;
  8. Melhoria do ambiente de negócios, permitindo o surgimento de pequenas e micro empresas, com menos burocracia e custos;
  9. Criação das condições básicas e infraestruturais para que o sector privado possa desenvolver sua actividade com menos constrangimentos e entraves.

Não que estejamos apresentar fórmulas novas, ou desconhecidas, até porque grande parte delas fazem parte do manifesto eleitoral do partido eleito MPLA mas, são factores que servem de entraves para que Angola seja colocada na rota do crescimento e desenvolvimento.

O que esperamos do novo executivo da 4.ª República é que o cidadão seja colocado no centro de todas as decisões, fazendo com que a governação seja feita “para o povo e com o povo” e destarte, se possa “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”.

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