A Opinião de Janísio Salomão

Drª Júlia Ferreira: de vilã a heroína


Drª Júlia Ferreira: de vilã a heroína

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

Os resultados provisórios apresentados pela Comissão Nacional Eleitoral deram azo a muita contestação, sobretudo por parte dos partidos políticos concorrentes que, à priori alegavam que a CNE não estava a ser imparcial, pois os resultados ora apresentados estavam a favorecer o MPLA por este se encontrar na pool position com mais de 60 por cento.
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Com o andar da carruagem e, à medida que o escrutínio nas Comissões Provinciais se desenrolava, os resultados apresentados pela CNE se iam-se consolidando, mostrando-se fiáveis e fidedignos.

Segundo o CNE "as províncias do Cuando Cubango, Luanda, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Cunene, Cabinda, Moxico, Benguela, Bengo, Huíla e Zaire têm já os dados definitivos das eleições gerais", perfazendo mais de 50 por cento, ou seja, 11 das 18 províncias existentes no País.

Os resultados provisórios apresentados apontam o MPLA à frente da contagem de votos, com 61,10%, seguido da UNITA, 26,71%, CASA-CE, 9,46%, PRS, 1,33%, FNLA, 0,90%, e APN, 0,49%.

Mas este não é o cerne da questão. A primeira aparição da Drª Júlia Ferreira, para divulgação dos resultados provisórios, foi depreendida para muitos com um estado de nervosismo, a julgar pela quantidade de água que a mesma ingeriu durante a divulgação dos resultados. Houve mesmo quem chegasse a dizer que "a responsabilidade que ela carregava sobre os suas mãos era tamanha que obrigava a ingerir muita água", e quem dissesse também que "ela foi abandonada, deixada órfã, pelo Presidente da CNE, Dr. André da Silva Neto" que nesse momento deveria estar do seu lado".

Meus caros o que ouvimos e assistimos horas depois nos média, com grande destaque para as redes sociais e imprensa, "não é de bem" conforme a gíria cá da banda, foram mensagens, caricaturas e muito mais, a denegrir completamente a imagem da Drª Júlia Ferreira, que passou a ser a "vilã" e a "má da fita" das eleições de 2017.

Foram conferências, atrás de conferências de imprensa, protagonizadas quer de forma unilateral ou paralelas a descredibilizar o trabalho levado a cabo pela CNE e o seu porta-voz, mesmo depois de pronunciamentos contrários por parte dos observadores nacionais e internacionais.

Os maiores partidos da oposição, tais como UNITA e CASA -CE, disseram "que iriam impugnar os resultados", outros disseram "que os resultados haviam sido forjados".

Como tal, não se deve atear somente as palavras, os partidos ora susoditos apresentaram cartas solicitando a invalidação dos resultados provisórios.

A conferência de imprensa prestada pela Drª Júlia ferreira, no dia 29 do corrente mês e ano, mostrou que as reclamações apresentadas pelos partidos políticos da UNITA e CASA-CE, foram consideradas improcedentes.

A referida conferência veio tirar o véu que pairava sobre a Drª Júlia Ferreira, igualmente a rotulação de que era alvo a "vilã" ou a "má da fita", devido aos primeiros resultados provisórios divulgados.

A calma, eloquência e perspicácia, são apenas alguns dos apanágios que lhe são intrínsecos. Nesta conferencia de imprensa a Drª Júlia mostra assim que não é a "vilã", nem a "má da fita". Conseguiu meticulosamente prestar informações e dar respostas cabais à cada preocupação apresentada pelos partidos políticos iniciando pela UNITA e posteriormente a CASA -CE.

Drª Júlia Ferreira, jurista de formação, mostra assim que esta à altura do cargo, e não o deixou ficar em mãos alheias, nem deixou um vacatio a quem substituiu o Dr. Adão de Almeida, anterior porta voz da CNE do pleito de 2008.

O que é facto perene na história é o dia 29 de Agosto, dia em que Drª Julia Ferreira mostrou a todos angolanos que não é a "vilã" e sim a "heroína" desta curta metragem "Eleições 2017" que aos poucos vai chegando ao seu final.

Salvum facere Dra. Júlia Ferreira!

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