TAP compra dívida pública nacional para garantir depósitos no país

A TAP está a comprar dívida pública angolana, indexada ao dólar, para se precaver de novas desvalorizações do kwanza, face às dificuldades em repatriar dividendos bloqueados no país.
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A informação, compilada pela agência Lusa, resulta de uma análise ao relatório e contas de 2016 da TAP, em que a companhia aérea portuguesa reconhece as dificuldades no repatriamento de depósitos em moeda nacional angolana, provenientes das operações em Luanda, para onde voa diariamente.

A empresa portuguesa, que em Luanda já deixou de aceitar moeda nacional para pagar viagens com início fora daquele país africano, identifica que teve de "mitigar problemas relacionados com a acumulação de valores pendentes de autorização de transferência para Portugal".

"Mais de metade dos valores depositados em Angola, em final de 2016, estavam salvaguardados de novas desvalorizações cambiais, como a que sucedeu em Janeiro de 2016, visto ter sido utilizada uma parte dos depósitos em kwanzas para a aquisição de obrigações do tesouro angolano indexadas ao valor do dólar", refere a companhia.

Em concreto, a TAP afirma ter subscrito, no decorrer do exercício de 2016 e utilizando mais de metade dos depósitos que tinha então retidos nos bancos nacionais, Obrigações do Tesouro no montante total de 6899 milhões de kwanzas, "correspondentes à taxa de câmbio original de 165,074 kwanzas por dólar".

Estas obrigações têm como data de maturidade 6 de Dezembro de 2018 e encontram-se indexadas ao valor do dólar, não sujeitas por isso a eventuais novas desvalorizações do kwanza.

Além destes títulos, a TAP fechou o ano de 2016 com depósitos bancários em Angola no montante de 45,2 milhões de dólares, os quais não consegue repatriar.

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