Russos lançam construção de refinaria no Namibe em projecto de 12 mil milhões de dólares

Investidores russos lançaram, na província do Namibe, a primeira pedra para a construção de uma refinaria de 12 mil milhões de dólares, projecto envolvendo ainda um traçado ferroviário unindo as centenárias linhas de Benguela e de Moçâmedes.
DR Marcos Peron:
    DR Marcos Peron

A primeira pedra da refinaria foi colocada na localidade do Giraul de Baixo, município de Moçâmedes, capital do Namibe, e a obra será executada numa área 1300 hectares, promovida pelos grupos Rail Standard Service e Fortland Consulting Company, ambos da Rússia.

De acordo com informação transmitida na cerimónia por Anatoly Kazlov, representante dos investidores russos, o projecto passa por instalar naquela região do sul do país um grande centro petrolífero, em face das necessidades energéticas de outros países da África austral.

Acrescentou que o negócio começou a ser discutido com o Governo há dois anos, avançando agora para a sua implementação, com as obras a arrancarem ainda este ano.

Serão criados ainda 2100 postos de trabalho para angolanos e 900 para trabalhadores expatriados.

O investimento, de 12 mil milhões de dólares envolve ainda a execução de infraestruturas integradas de apoio ao projecto, "nomeadamente a construção e administração de uma área habitacional destinada ao alojamento dos trabalhadores, cais de acostagem, central eléctrica e uma linha férrea que liga ao Caminho-de-Ferro de Moçâmedes [Namibe] ao Caminho-de-ferro de Benguela", lê-se no contrato com a Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP).

O projecto será executado pela NAMREF, sociedade veículo do investimento, a constituir pelos dois grupos russos (75 por cento de investimento pela Rail Standard Service e 25 por cento pela Fortland Consulting Company) e parceiros locais, também conforme prevê o contrato.

A primeira fase deste projecto envolve a construção da unidade de dessalgação eléctrica do petróleo e conversão normal com capacidade de 10 milhões de toneladas por ano, no prazo de três anos e meio. Esta capacidade, bem como o tipo de produto a refinar, como gasolina, gasóleo e betume, irá aumentar com a concretização das restantes fases.

Além das licenças e do terreno, o Estado compromete-se, neste contrato, com a garantia de compra de entre 28.000 barris diários de petróleo bruto (na primeira fase, dentro de três anos e meio) e os 364.00 barris diários (na última fase, dentro de 11 anos).

Este investimento surge numa altura em que a construção da refinaria de Benguela foi suspensa pela estatal Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) e que o Governo está a reavaliar o projecto da refinaria no Soyo.

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