A Opinião de Janísio Salomão

Afinal de contas o dinheiro é meu ou do banco?


Afinal de contas o dinheiro é meu ou do banco?

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

Com o eclodir da crise, o sector financeiro acabou por ficar afectado sofrendo, como não podia deixar de ser, consequências de índole diversa tais como: redução da taxa de depósito, conhecida como operações passivas e aumento das taxas de levantamentos.
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Isto para não falar do crédito mal parado que, acabou por minar a Banca Angolana, representando cerca de 80% de toda a carteira do crédito.

Como tal, os problemas agudizam-se e grande parte dos clientes da banca estão a sofrer restrições de levantamentos de valores em alguns bancos.

Existem dificuldades em alguns bancos, os clientes não conseguem reaver os seus depósitos, processo este que iniciou com moedas estrangeiras (USD) e agora como se não bastasse alguns bancos restringem o levantamento até dos kwanzas.

Surge a seguinte indagação: O dinheiro é meu ou do banco?

Os recursos financeiros representam parte do património individual ou das organizações (empresas), sendo meu património de livre arbítrio e responsabilidade e, não cabe ao sector financeiro (bancos) saber como e aonde devo alocar os recursos, salvo excepções que devem ser devidamente fundamentadas.

O comportamento verificado por parte de certos bancos denota claramente que, os mesmos apenas estão no mercado com outra finalidade e, hodiernamente tornou-se clarividente, quem é quem, qual o banco que efectivamente conseguirá subsistir no mercado, numa fase em que o negócio das divisas já não é tão rentável como outrora.

Não me podem falar em políticas para conter a massa monetária em circulação até porque, alguns cartões de crédito estão igualmente a conhecer restrições no seu levantamento ou uso. Não me refiro a visas mas a cartões normais.

Em momentos difíceis a confiança do cliente não deve ser beliscada, em momentos adversos a economia deve oferecer condições para que os clientes olhem para o sistema financeiro como aquele que pode resolver os seus problemas e não como o fomentador de problemas e situações menos favoráveis para os clientes.

Meus caros, o dinheiro é meu!

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