Histórico edifício da Liga Nacional Africana elevado a Património de Angola

O histórico edifício da Liga Nacional Africana, em Luanda, passou este mês a ser classificado como Património Histórico-Cultural de Angola, conforme decisão do Ministério da Cultura a que a Lusa teve acesso.
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Em causa está o edifício utilizado como sede da actual Liga Africana, uma organização centenária da sociedade civil constituída em 1996 como sucessora da Liga Angolana e da Liga Nacional Africana, instituídas respectivamente em 1912 e 1930.

No decreto executivo de classificação assinado pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, de 5 de Maio, são sublinhadas as características do edifício incorporadas na arquitectura moderna, da primeira metade do século XX, tendo sido de "especial relevância a sua função", como um dos "principais palcos das actividades enquadradas no esforço de libertação do país do jugo colonial".

A direcção da actual Liga Africana aprovou em 2016 a proposta de candidatura do edifício Património Histórico-Cultural, agora aprovada, recordando que a instituição, nas funções que teve ao longo do período colonial, desempenhou "um importante papel na formação e acolhimento dos mais célebres nacionalistas e na promoção de ideais independentistas", até 1975.

Além deste edifico emblemático do centro de Luanda, a mesma classificação foi atribuída à Igreja da Missão Católica de Camabatela, em Ambaca, província do Cuanza Norte, enquanto "uma das mais belas e interessantes espécimes da arquitectura religiosa-histórica do século XX construída em todo o país".

Um outro decreto, igualmente assinado pela ministra Carolina Cerqueira, eleva a Património Histórico-Cultural a Igreja da Sagrada Família, construída na cidade do Sumbe, na província do Cuanza Sul, no final do século XIX, considerada uma das mais representativas da história local.

O denominado aglomerado de rochas ou Mbanza de Pungo Andongo, que foi um dos mais importantes mercados do antigo reino de Ndongo, entre o século IX e XIV, em Cacuso, na província de Malanje, também ostenta agora o título de Património Histórico-Cultural.

Esta classificação é justificada pelo Ministério da Cultura com a riqueza histórica e cultural do local, nomeadamente "o conjunto de blocos rochosos descomunais e que foram ponto estratégico, tanto para os autóctones, como para os colonos portugueses, no período da conquista da região".

"Reconhecendo a necessidade de se promover o seu reconhecimento como importante testemunho da resistência à ocupação dos reinos em Angola", lê-se no texto da classificação.

Angola conta com 265 monumentos e sítios classificados, e mais de duas mil áreas inventariadas, mas muitas estão em avançado estado de degradação, admitiu, a 18 de Abril, a ministra da Cultura.

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