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Soares da Costa: “Angola precisa de muito investimento em edifícios e infra-estruturas”

Artigos Construção — Entrevista

11 de Fevereiro de 2013

  

A presença da construtora Soares da Costa em Angola surgiu, em 1979, através de um contrato de assistência à empresa estatal Constrói UEE. Um ano depois, estava constituída a sucursal angolana da empresa. Outros projectos e obras foram surgindo o que permitiu o desenvolvimento da empresa no mercado angolano e a sua expansão a outras províncias.
Neste momento, a facturação da filial angolana representa 49 por cento da facturação do Grupo português prevendo-se que a sua actividade continue a crescer no País.
A confiança depositada na construtora pelos angolanos originou a que, ao longo dos anos, fossem surgindo outras áreas de negócio.
Ao VerAngola, Daniel Pinto da Silva, CEO África da Soares da Costa, revela o segredo do sucesso da empresa e quais os seus próximos projectos e investimentos.

Pode falar-nos um pouco do início da Soares da Costa Angola?

O início da actividade da Soares da Costa em Angola deu-se em 1979, com um contrato de assistência técnica à Constrói UEE, entidade detida pelo Estado. A obra executada no âmbito desse contrato foi a reabilitação do Estádio da Cidadela em Luanda. Um ano depois, com a sucursal angolana da Soares da Costa já constituída, foi-lhe adjudicada a construção da base de transportes da Sonangol, no limite norte da Cidade de Luanda. Foram surgindo outras oportunidades e empreitadas, que levaram ao desenvolvimento da organização e ao alargamento das actividades para as províncias, tendo sido estabelecidas Sub-Delegações em Cabinda, Soyo, Lunda Norte, Huambo, Lubango e Lobito. O reacender da guerra em 1992 levou ao encerramento de algumas das delegações provinciais. Em Luanda, apesar das graves perturbações e prejuízos causados, a actividade nunca foi interrompida.

Além do sector da construção, a principal actividade da empresa, em que outras áreas actua a Soares da Costa em Angola?

A actividade da Soares da Costa em Angola centra-se na construção. As outras áreas em que actuamos acabam por ser áreas complementares à da construção, através de uma unidade de carpintaria e outra de serralharia civil. Temos ainda uma actividade importante, quer pela capacidade técnica de que dispõe como pela relevância que tem no sector das instalações eléctricas e de ventilação e ar condicionado, exercida pela Clear Angola, que opera como sociedade autónoma participada pelo Grupo Soares da Costa. A prestação de serviços de manutenção em edifícios é uma nova área de actividade da Clear que tem vindo a ganhar importância. Apesar de a Clear ter na Soares da Costa um dos seus mais importantes clientes, realiza 80 por cento do seu volume de negócios para entidades externas ao Grupo. Temos ainda uma empresa de prestação de serviços de “catering”, a “Carta” que resulta da migração para uma sociedade autónoma da unidade de cantinas da empresa. A Carta presta serviços de refeições, não só à Soares da Costa, mas também a outras entidades.

Quer destacar alguma em particular pela sua performance?

Destas participadas, a Clear Angola é sem dúvida aquela que maior importância tem para que nos possamos distinguir da envolvente. É uma empresa com um forte corpo técnico e uma vasta experiência, não só na execução, mas também na concepção dos mais complexos sistemas de instalações eléctricas e de AVAC.

Que características tem de ter o grupo, ou seja, as pessoas que nele trabalham para ultrapassar os obstáculos?

Encaro cada obstáculo como um desafio. Se as pessoas que connosco fazem equipa estiverem dispostas a enfrentar e vencer os desafios que se nos apresentam, tendo presente que o nosso objectivo é a conclusão das obras que temos em mão para plena satisfação dos nossos clientes, conseguiremos ultrapassar os obstáculos. Sabemos que a realização de obras em alguns locais de África é bem complexa, pelas distâncias que há a vencer, ou a falta de infra-estruturas de apoio em alguns locais. A capacidade de adaptação, bem como a perseverança para não desistir à primeira dificuldade, são características de elevada importância para o sucesso dos nossos colaboradores.

Diversificação e internacionalização. Qual o significado para a empresa?

A internacionalização vivida pela Soares da Costa, desde os anos 80, permitiu que a empresa se posicionasse noutros mercados, com perspectivas de crescimento, garantindo assim a continuidade de crescimento do grupo. Por outro lado, três décadas de actividade “fora de fronteiras”, levaram à criação entre os nossos colaboradores de uma cultura internacional, permitindo adaptar a organização à actividade simultânea em várias geografias. Pretendemos intensificar a internacionalização, não necessariamente com o início de actividade operativa em novas geografias, mas preferencialmente pelo aumento de actividade nos mercados em que estamos já presentes. A diversificação, ou seja o alargamento da actividade para novas áreas de negócio que não a da construção, não é uma opção estratégica neste momento. Entendemos dever concentrar-nos naquilo que é a nossa principal actividade, onde sabemos actuar e onde a nossa capacidade de resposta é reconhecida pelo mercado.

Que grandes obras ou projectos estão a ser desenvolvidos em Angola? De que volume de negócios estamos a falar?

Angola precisa de muito investimento em edifícios e infra-estruturas. É tentador falar em valores de muitas centenas de milhões, mas sabemos também que os grandes investimentos precisam de tempo para a preparação, e disponibilidade orçamental para serem lançados. Os valores referidos acabam por não ser atingidos, ou são-no num período de tempo pouco definido. Prefiro falar de forma genérica nos projectos concretos que sabemos existir, de investimentos em centrais de produção de energia eléctrica, instalações e redes de distribuição de água, algumas pontes. Mas o investimento não se reduz ao planeado investimento público. O desenvolvimento da economia proporciona um ambiente favorável ao investimento privado. O grande número de edifícios residenciais e de escritórios que foram concluídos e estão em construção na cidade de Luanda são prova disso. E a Soares da Costa orgulha-se de ter participado na construção de um grande número de edifícios emblemáticos.

Que volume de negócios representa Angola para a Soares da Costa?

Prevemos, de acordo com o orçamento para o ano corrente, na Sociedade de Construções realizar um volume de negócios de cerca de 380 milhões de euros em Angola, o que representará mais de 40 por cento do volume de negócios total do Grupo. A este número acresce ainda a actividade da Clear Angola, que tem vindo a crescer nos últimos anos.

Que conselhos procura transmitir para o sucesso do grupo?

O sucesso do grupo depende, não só mas com muita relevância, da satisfação dos nossos clientes. Tento transmitir aos nossos colegas e colaboradores que a satisfação dos clientes é o factor mais importante para garantir a sustentabilidade do crescimento do Grupo Soares da Costa.

Em termos internacionais, a Soares da Costa posiciona-se entre os 50 maiores grupos de construção da Europa. Como foi conseguido tal feito?

O crescimento da Soares da Costa é sem dúvida resultado da qualidade do trabalho que tem desenvolvido ao longo dos anos. E este por sua vez, da dedicação e do empenho, das pessoas que ao longo dos últimos anos com o seu trabalho contribuíram para esse sucesso. A qualidade permitiu ganhar a confiança dos clientes e mercados em que opera, permitindo crescer, tornando-se uma empresa de referência.

De todas as obras realizadas pela Soares da Costa em Angola, quais as de destaque ou mais emblemáticas?

Das obras mais recentes destaco o edifício TTA 2, a nova sede da Total em Luanda, um edifício de qualidade e complexidade ao nível mais elevado no mundo. A Torre Ambiente e a nova sede do Banco BESA são, também pela sua localização e arquitectura, uma referência em Luanda.

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